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Sangramento Uterino Anormal: causas, diagnóstico e tratamento

Entenda por que o sangramento pode se alterar, como a classificação PALM-COEIN organiza as causas e em quais situações a avaliação da cavidade uterina pode ser necessária.

Resposta rápida

Sangramento uterino anormal (SUA) é qualquer alteração no padrão menstrual quanto à frequência, duração, regularidade ou volume. Pode incluir sangramento muito intenso, prolongado, fora do período menstrual ou após a menopausa. É um sintoma, e não um diagnóstico isolado; a investigação busca identificar a causa antes de definir o tratamento.

O que pode causar sangramento uterino anormal?

A FIGO organiza as causas pelo sistema PALM-COEIN. O grupo PALM reúne causas estruturais; o grupo COEIN reúne causas não estruturais.

Causas estruturais — PALM

  • P — Pólipo endometrial
  • A — Adenomiose
  • L — Leiomioma (mioma)
  • M — Malignidade e hiperplasia

Causas não estruturais — COEIN

  • C — Coagulopatia
  • O — Disfunção ovulatória
  • E — Causa endometrial
  • I — Iatrogênica, incluindo medicamentos e dispositivos em determinados contextos
  • N — Não classificada

Principais causas estruturais e o papel da cavidade uterina

Pólipo endometrial

É uma projeção do endométrio para o interior da cavidade uterina e pode estar associada a sangramento intermenstrual ou outros padrões de sangramento anormal. A avaliação deve considerar idade, sintomas, achados de imagem e contexto clínico.

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Mioma submucoso

É o mioma que se relaciona com a cavidade uterina e pode projetar-se para seu interior. Pode estar associado a fluxo menstrual intenso ou prolongado. Tamanho, topografia, extensão da base e penetração no miométrio influenciam o planejamento do tratamento histeroscópico.

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Adenomiose

A adenomiose pode estar associada a sangramento intenso e dismenorreia. Seu diagnóstico é essencialmente feito por imagem; a histeroscopia tem papel complementar e pode ajudar a excluir alterações intracavitárias concomitantes.

Leia sobre adenomiose →

Hiperplasia e câncer de endométrio

São causas menos frequentes, mas precisam ser consideradas especialmente diante de sangramento pós-menopausa ou de fatores de risco. Quando indicada, a avaliação histológica permite definir a conduta.

Como é feita a investigação?

  1. História clínica e exame físico: padrão do sangramento, ciclo menstrual, medicamentos e fatores de risco.
  2. Exames laboratoriais: indicados conforme o contexto, por exemplo quando há suspeita de gestação, distúrbio ovulatório, tireoidiano ou de coagulação.
  3. Ultrassonografia transvaginal: costuma ser o exame de imagem inicial para avaliação do endométrio e do miométrio.
  4. Histerossonografia: pode ajudar quando há dúvida sobre lesões focais da cavidade.
  5. Histeroscopia: permite visualizar diretamente a cavidade uterina e, quando necessário, realizar biópsia dirigida ou tratamento em casos selecionados.

Ultrassonografia, histerossonografia e histeroscopia: qual a diferença?

Exame O que avalia Papel na investigação
Ultrassonografia transvaginal Endométrio, miométrio, espessura e ecotextura Geralmente é o primeiro exame de imagem.
Histerossonografia Contorno da cavidade e suspeita de lesões focais Pode esclarecer achados intracavitários quando a ultrassonografia é inconclusiva; não permite biópsia dirigida.
Histeroscopia Visualização direta da cavidade uterina Permite diagnóstico visual e, quando indicado, biópsia dirigida ou tratamento.

Quando a histeroscopia é indicada?

A indicação deve ser individualizada. A histeroscopia costuma ser considerada quando há suspeita de lesão intracavitária, como pólipo ou mioma submucoso; sangramento persistente sem causa definida após a avaliação inicial; sangramento pós-menopausa que exige investigação endometrial; ou falha de tratamento clínico prévio.

Ela não é necessariamente a primeira conduta em todos os casos de sangramento uterino anormal. Idade, padrão do sangramento, achados de imagem, fatores de risco e desejo reprodutivo fazem parte da decisão.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da causa identificada. Pólipos e miomas submucosos podem ter tratamento histeroscópico em casos selecionados. Causas não estruturais frequentemente exigem tratamento clínico específico. Quando há hiperplasia ou malignidade, a conduta é definida de acordo com o resultado histopatológico e o contexto da paciente.

Perguntas frequentes

O que é sangramento uterino anormal?

É qualquer alteração no padrão menstrual normal quanto à frequência, duração, regularidade ou volume, incluindo sangramento fora do período menstrual ou após a menopausa. É um sintoma, não um diagnóstico único.

Todo sangramento uterino anormal precisa de histeroscopia?

Não. A histeroscopia é indicada de forma individualizada, principalmente quando há suspeita de lesão intracavitária, sangramento persistente sem causa definida, sangramento pós-menopausa ou falha de tratamento clínico prévio.

Qual exame vem primeiro: ultrassonografia ou histeroscopia?

Em geral, a ultrassonografia transvaginal é o exame inicial. A histeroscopia ganha importância quando a imagem sugere alteração intracavitária ou quando o quadro permanece sem explicação adequada.

Sangramento após a menopausa é sempre grave?

Não é sempre causado por uma doença grave, mas deve ser investigado. As causas podem variar de alterações benignas a hiperplasia ou câncer de endométrio, e a estratégia diagnóstica depende dos achados clínicos e de imagem.

Mioma e pólipo são a mesma coisa?

Não. O pólipo é uma projeção do endométrio; o mioma é um tumor benigno originado da musculatura uterina. Quando o mioma se projeta para a cavidade, é chamado de submucoso e pode produzir sintomas semelhantes aos de um pólipo.

Bloco técnico — leitura para médicos

A classificação PALM-COEIN padroniza a nomenclatura das causas de sangramento uterino anormal e separa causas estruturais e não estruturais. Para alterações focais da cavidade, a avaliação por imagem associada à visualização histeroscópica permite caracterizar a lesão e, quando necessário, realizar biópsia dirigida, evitando depender exclusivamente de métodos cegos para lesões focais.

Na avaliação do mioma submucoso, a classificação STEP-W (Lasmar) incorpora tamanho, topografia, extensão da base, penetração e parede lateral, auxiliando na estimativa da complexidade da miomectomia histeroscópica e no planejamento cirúrgico.

Em sangramento pós-menopausa, a interpretação deve integrar espessura endometrial, padrão ultrassonográfico e fatores de risco clínicos, definindo quando é necessária investigação histológica.

Leia mais sobre a classificação STEP-W →

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REVISÃO MÉDICA

Conteúdo revisado pela equipe Lasmar Histeroscopia

Prof. Dr. Ricardo Bassil LasmarCRM-RJ 52.32249-2 Prof. Dr. Bernardo Portugal LasmarCRM-RJ 52.84806-9 · RQE 42690 · RQE 49534

Última revisão/atualização desta página: 22/08/2026. Conteúdo educativo; não substitui avaliação médica individual.

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