Não. Nem todo pólipo endometrial requer remoção cirúrgica imediata. A decisão depende de fatores como o tamanho do pólipo, a presença de sintomas (como sangramento anormal), a idade da paciente (especialmente se está na menopausa) e o risco de malignidade. Em muitos casos assintomáticos, o acompanhamento clínico (conduta expectante) é a abordagem inicial recomendada.
O diagnóstico de um pólipo endometrial frequentemente gera apreensão e a dúvida imediata sobre a necessidade de intervenção cirúrgica. É fundamental compreender que a histeroscopia cirúrgica, embora seja o padrão-ouro para a remoção, não é invariavelmente o primeiro passo para todas as pacientes.
Critérios para Remoção Cirúrgica
A indicação cirúrgica é baseada em uma avaliação criteriosa e individualizada. Os principais fatores que motivam a indicação de polipectomia incluem:
- Presença de Sintomas: O sangramento uterino anormal, especialmente o sangramento pós-menopausa, é o principal sinal de alerta e indicação formal para a remoção e análise histopatológica.
- Tamanho do Pólipo: Pólipos maiores que 1,5 cm a 2,0 cm costumam ter indicação de ressecção, mesmo em pacientes assintomáticas, devido ao potencial de crescimento e leve aumento no risco de atipias.
- Status Menopausal: O risco de malignidade em pólipos aumenta significativamente após a menopausa. Portanto, a remoção é mais frequentemente recomendada neste grupo.
- Infertilidade: Em pacientes em investigação de infertilidade ou que se preparam para reprodução assistida, a remoção do pólipo pode melhorar as taxas de implantação embrionária.
Quando o Acompanhamento é Indicado?
A conduta expectante, que consiste em acompanhamento clínico e ultrassonográfico periódico, é uma opção viável e segura para:
Mulheres na Pré-Menopausa
Se o pólipo for pequeno (geralmente menor que 1 cm) e a paciente não apresentar sangramento anormal, há uma chance considerável de regressão espontânea ou ausência de complicações a longo prazo.
Ausência de Fatores de Risco
Pacientes sem uso de tamoxifeno, obesidade severa ou histórico familiar de câncer endometrial podem ser candidatas a um seguimento menos invasivo inicial, desde que estritamente assintomáticas.
O seguimento geralmente envolve ultrassonografias transvaginais repetidas, programadas pelo médico assistente, para monitorar o tamanho e as características da lesão. Qualquer mudança clínica, como o início de sangramento, altera a conduta para indicação cirúrgica.
“A decisão entre operar ou acompanhar deve ser compartilhada entre o ginecologista e a paciente, pesando os riscos cirúrgicos, a ansiedade associada ao diagnóstico e os critérios oncológicos.”