Publicação da equipe Lasmar
O artigo destaca que a histeroscopia de consultório oferece vantagens como menor custo, resultado rápido, retorno precoce às atividades e tempo curto de exame, mas reconhece que desconforto e dor são fatores importantes na aceitação do procedimento. O limite de desconforto é individual e deve sempre ser respeitado.
Os 13 passos
Converse com a paciente antes do exame
Conheça a indicação, explique cada etapa, antecipe os momentos de possível desconforto e deixe claro que o procedimento pode ser interrompido quando solicitado. Informação e confiança ajudam a reduzir ansiedade.
Use instrumentos de menor calibre
O desconforto está relacionado ao diâmetro do histeroscópio. O artigo recomenda instrumentos de 6 mm ou menores, especialmente em nulíparas, pacientes pós-menopausa e idosas.
Prefira camisa com canal operatório
O canal operatório permite biópsia e pequenos procedimentos com pinças, tesouras ou instrumentos de 5–7 Fr sem retirar e reinserir o conjunto, reduzindo manipulação transcervical.
Reconheça previamente a posição uterina
O toque vaginal pode ajudar a identificar a posição do colo e do corpo uterino, sobretudo em anteversoflexão, retroversão ou colo muito anterior/posterior, reduzindo movimentos desnecessários.
Posicione adequadamente a paciente
Nádegas discretamente além da borda da mesa e membros inferiores bem afastados facilitam movimentos externos amplos e movimentos internos suaves, respeitando a lateralização e a versão uterina.
Domine os movimentos da óptica de 30°
Movimentos leves de eixo e rotação da fonte de luz permitem explorar toda a cavidade sem deslocamentos excessivos do histeroscópio.
Use meio líquido e a menor pressão eficaz
O soro permite vaginoscopia e exame mesmo com algum sangramento. A recomendação é usar a menor pressão capaz de distender a cavidade e realizar a avaliação no menor tempo necessário.
Permita que a paciente acompanhe o exame
Um monitor voltado para a paciente favorece compreensão, participação e distração, transformando-a em participante ativa do procedimento.
Seccione estenoses e sinéquias; não force
Em vez de tracionar ou romper tecido fibrótico à força, o artigo recomenda secção delicada com tesoura histeroscópica. Dor durante lise de sinéquias pode sinalizar entrada no miométrio.
Alinhe os eixos e utilize pressão pélvica
A passagem pelo orifício interno é descrita como momento de maior desconforto. Alinhamento do histeroscópio com o canal e pressão da mão da paciente sobre a pelve podem facilitar a progressão.
Varie a pressão intrauterina quando necessário
Trabalhar com baixas pressões e variar o enchimento pode melhorar a identificação de pequenas lesões, alterações subendometriais e compressões extrínsecas.
Faça biópsia dirigida
A amostra da área mais representativa aumenta a precisão diagnóstica e tende a causar menos desconforto que métodos cegos. Quando possível, a abordagem dirigida também permite exérese completa de pequenas lesões.
Esvazie o meio de distensão ao final
O líquido remanescente pode provocar cólicas. O artigo recomenda esvaziar completamente a cavidade, sobretudo em úteros muito angulados ou com trajetos estreitos.
Lasmar RB, Lasmar BP. Thirteen Steps for Office Hysteroscopy with Minimal Discomfort. Gynecologist. 2019;1(1):1004.
Conclusão prática
Os autores concluem que a aplicação sistemática desses passos pode reduzir dor e desconforto e aumentar a sensação de segurança durante a histeroscopia. A tolerância é individual e deve ser respeitada em todos os momentos.